No dia 9 de agosto de 2024, o voo Voepass 2283, um ATR‑72‑500 registrado como PS‑VPB, saiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), mas caiu em Vinhedo (SP), provocando a morte de todas as 62 pessoas a bordo (58 passageiros e 4 tripulantes), configurando o acidente aéreo mais grave no Brasil desde 2007 (Wikipédia).
As investigações preliminares do CENIPA, divulgadas em setembro, apontaram que a aeronave entrou em uma "espiral plana" (flat spin) após perda de sustentação. Em gravações das caixas‑pretas, a tripulação relatou acúmulo severo de gelo e dificuldades com o sistema de degelo, acionado três vezes durante o voo sem funcionar corretamente (Wikipédia).
Falha omitida no diário de bordo
Em 2 de agosto de 2025, o G1 revelou que um ex-funcionário da manutenção da Voepass relatou que, na noite anterior ao acidente, o comandante do voo anterior (voo 2293, operado pela mesma aeronave) alertou verbalmente sobre falha no sistema de degelo — que desligava sozinho. No entanto, esse problema não foi registrado no diário de bordo técnico (TLB), o que resultou em sua averiguação ser ignorada pela gerência, que priorizava que a aeronave seguisse operando (Hugo Gloss).
Segundo a testemunha:
“Sendo que essa aeronave chegou de Guarulhos para Ribeirão (…) tinha apresentado o airframe [fault] … estava desarmando sozinha. […] E sem registro no TLB, o líder questionou: ‘se não tem registro, não tem pane na aeronave’.” (Hugo Gloss)
Além disso, a pressão por manter os voos operando era intensa: funcionários eram deslocados entre turnos, o tempo entre a chegada e a próxima decolagem era curto (chegada por volta de 0h30 e voo marcado para 5h30), e aeronaves com pendências eram liberadas frequentemente para evitar prejuízos financeiros à empresa (Hugo Gloss).
Impactos e consequências
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A ANAC suspendeu as operações da Voepass em março de 2025, exigindo correção de irregularidades. Em junho, o Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia foi cassado definitivamente, encerrando suas operações, após constatar falhas graves em várias aeronaves, incluindo trincas, deformações e falta de manutenção adequada (Wikipédia).
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A Polícia Federal investiga possível crime por omissão voluntária ou dolo eventual. Familiares das vítimas se preparam para discutir depimentos e responsabilidades legais, incluindo advogados da Associação das Vítimas do Voo 2283 (UOL Notícias).










